Ao acompanhar os plantões dos professores Lúcio Melo e Huber Rizzo no Ambulatório de Grandes Animais da UFPE, observamos a chegada de uma ovelha chamada Galega. Era uma fêmea, com 4 anos, branquinha, pesando uns 40 kg, e nunca tinha sido vacinada.O responsável contou que ela vivia junto com mais 16 ovelhas, comendo capim, soja, xerém, farelo e sal mineral. Ficava solta no pasto o dia todo e com água à vontade.
Disse também que tinha dado remédio de verme há 15 dias (vermifugação com albendazol).O problema principal era um inchaço debaixo do queixo, tipo uma “papada” grande (edema submandibular).
Quando a gente foi examinar, a ovelha estava tranquila, ativa, mas já mostrando alguns sinais:Um pouquinho desidratada (desidratação grau 1)Comendo ração normalmente, mas com pouca vontade de comer capim (hiporexia para volumoso)Sem carrapatos ou outros parasitas externos (sem ectoparasitas)Cor das mucosas normais (mucosas normocoradas)Na barriga, o rúmen estava funcionando, mas meio devagar, com poucos movimentos (hipomotilidade ruminal), e tinha presença de gás.Os cascos estavam mal cuidados, meio “fechados” e deformados (cascos entesourados), dificultando o apoio.
Pelo conjunto dos sinais, a suspeita foi de verme (endoparasitose).Foram pedidos exames de sangue e fezes (hemograma, bioquímico e parasitológico de fezes), que confirmaram o problema: infestação por vermes. O tratamento começou com:Transferência de líquido do rúmen de um animal saudável (transfaunação)Antibiótico por 5 diasDia a dia da GalegaDia 12/03 (tarde)A ovelha estava com febre leve 38,3°C, coração acelerado (taquicardia leve) e respiração aumentada (taquipneia). O rúmen estava bem lento (hipomotilidade ruminal). Ainda assim, estava ativa e comendo.Dia 13/03De manhã, teve febre mais alta 39.6°C (hipertermia), coração bem acelerado (taquicardia) e respiração rápida (taquipnéia).À tarde, continuou com alterações, mas já iniciou o antibiótico.
Dia 14/03Já apresentou melhora: temperatura mais próxima do normal, comportamento ativo e fezes normais. O rúmen ainda um pouco lento, mas melhorando.Dia 15/03Animal bem melhor, ativo, comendo bem, hidratado e sem alterações importantes.Dia 16/03De manhã, estava estável, mas já aparecendo leve palidez no olho (mucosa ocular hipocorada — sinal de anemia).À tarde, essa palidez aumentou um pouco (anemia leve), indicando ainda efeito dos vermes.Dia 17/03Animal ativo, se alimentando normalmente, com melhora geral. Ainda com leve anemia, mas já em recuperação.
Dia 18/03Rúmen funcionando melhor, com mais movimentos (motilidade ruminal adequada). Animal ativo, mas ainda com leve palidez ocular (anemia leve).Dia 19/03Continua estável, ativo, com sinais leves de anemia (mucosa ocular hipocorada).Dia 20/03A ovelha já estava bem:Comendo normalmente; Fezes e urina normais; Ativa e sem sinais gravesA única coisa ainda presente era uma leve anemia (mucosa ocular levemente hipocorada), comum em casos de verminose.Então, ela recebeu alta.Resumão: A Galega chegou com “papada inchada” (edema submandibular), causada por vermes (endoparasitose), que também provocaram fraqueza e anemia. Com tratamento correto, ela melhorou bem e voltou ao normal.
